Discurso do Embaixador - 14 de Julho 2011

Excelentíssimos Senhoras e Senhores Ministros,
Ilustríssimos Senhoras e Senhores Deputados,
Estimados Colegas Membros do Corpo Diplomático,
Minhas Senhoras e Meus Senhores, representantes de empresas,

Caros amigos,

Estamos aqui reunidos para celebrar o aniversário da Revolução francesa. Duzentos e vinte e dois anos, faz hoje duzentos e vinte e dois anos que aconteceu a tomada da Bastilha, símbolo desta revolução.

Os seus autores chamaram-no de Ano I da Liberdade, pois a liberdade era o primeiro dos seus ideais. Este ideal não morreu. É o mesmo que hoje guia as transformações que estamos a observar ao longo do que chamamos a “primavera árabe”.

Estes acontecimentos são uma fonte de esperança mas também constituem um imenso desafio, porque o caminho para a liberdade é exigente. Ele necessita conjugar a expressão de todos e o respeito para cada um. Pertence à cada povo, com a sua história e as suas especificidades, de tomar nas mãos o seu destino e de seguir o seu próprio modelo. A França apoia essas aspirações mas não tem qualquer intenção de decidir sobre a natureza da competência interna dos países. Ela exprime-se e intervém através do único fundamento do direito internacional, particularmente do novo principio adoptado com a unanimidade das Nações Unidas, em 2005, por ocasião da cimeira que reuniu o maior número de chefes de estados na História. Trata-se do principio relativo à responsabilidade de proteger os povos contra os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade e os genocídios. Este principio foi inscrito, neste ano pela primeira vez, numa resolução do Conselho de segurança.

E então a França intervém em África. Será caso para espanto? A relação entre a França e a África é antiga, mesmo que tenha sido dolorosa pelo passado. Alguns fingem crer que assistimos actualmente ao aparecimento de um tipo de neocolonialismo. A realidade é muito diferente, a relação mudou. Os laços existentes entre o meu país e a África são intensos. Quem sabe, por exemplo, que 10% da população francesa pode hoje reivindicar uma origem africana ? Ou então que 100.000 estudantes africanos prosseguem actualmente com os seus estudos superiores em França ? Num outro domínio, cada um de nós sabe dos esforços desenvolvidos pela França para que o continente possa ocupar o verdadeiro lugar a que tem direito, quer seja a nível das instituições internacionais ou à nível do desenvolvimento económico. Alguns dizem que fazemos demasiado, outros que fazemos pouco. A verdade é que os nossos destinos encontram-se ligados, e que a nossa relação é feita tanto de razão como de paixão.

A relação com Angola é o símbolo disso.

Angola possui grandes recursos naturais, mas a sua verdadeira riqueza, são os seus recursos humanos. O povo angolano é orgulhoso, ele superou decénios de provações, forjou uma forte identidade e fez de Angola um país à parte, respeitado e escutado. Nada mais natural do que a França estar a edificar uma estreita parceria com ele, sem mudar de rumo, independentemente das circunstâncias. O diálogo político é uma necessidade, e este vai viver um novo impulso. A nossa cooperação vai crescendo. A sua prioridade é o desenvolvimento dos recursos humanos, em especial com o lançamento, este ano, de um vasto programa de bolsas destinado aos estudantes angolanos. Ela visa igualmente uma melhor compreensão entre os nossos povos. Por sua parte, as nossas relações económicas intensificam-se, assim como a presença francesa, dinâmica cujo símbolo foi a abertura, no passado mês de maio, de um consulado no Lobito. Por todas estas razões é uma relação consolidada que andamos a construir, um novo capítulo que estamos a escrever.
Permitem-me agora que me dirige aos meus compatriotas na minha língua materna.

En français:

Mes chers compatriotes, cela fait maintenant un an que j’ai l’honneur de représenter la France dans ce magnifique pays. J’ai beaucoup appris avec vous, et vous savez pouvoir compter sur moi pour travailler à aplanir les difficultés qui ne manquent jamais de surgir. Parmi celles-ci figure la lancinante question des visas, qui complique singulièrement la vie de nos entreprises. Je suis heureux, à cet égard, de vous faire savoir que les autorités angolaises viennent de donner leur approbation à la négociation d’un accord bilatéral sur ce sujet. Il reste du chemin à parcourir, mais nous sommes sur la bonne voie, comme du reste sur l’ensemble de notre relation.

Comme vous le savez, le sort de la communauté française est au cœur de mes préoccupations, comme de celles des autorités de notre pays. Un secrétariat d’Etat aux Français de l’étranger a été créé, il y a deux semaines, auprès du ministre d’Etat, ministre des affaires étrangères et européennes. Dans le même sens, des députés représentant les Français de l’étranger seront élus, pour la première fois, lors des élections législatives de juin prochain. Il s’agit là de moyens supplémentaires pour être à votre écoute. L’ambassade, quant à elle, continuera d’être là à cet effet. Faites appel à elle en tant que de besoin.
Je voudrais terminer en adressant à nouveau mes remerciements aux conseillers du commerce extérieur et aux entreprises qui ont soutenu l’organisation de cette réception et de celle qui se tient au lycée. Elles traduisent bien par là leur dynamisme et leur implication dans la vie de notre communauté.

Viva Angola, vive la France

Atualização : 18/07/2011

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